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  • Foto do escritorDaluco

Brabham BT42 1973 Wilson Fittipaldi

Atualizado: 24 de dez. de 2023




Wilsinho brigava por um bom lugar no grid de Watkins Glen quando viu pelos retrovisores uma fumaça azulada se desprendendo da traseira do Brabham, anunciando que o motor Ford-Cosworth estava prestes a explodir. Tirou rapidamente o carro para o acostamento, livrou-se dos cintos de segurança e do capacete, saiu do carro, sentou-se no guardrail e ficou apreciando, com inveja, o irmão Emerson, Jackie Stewart, Jacky Ickx, James Hunt e Carlos Reutemann lutarem pela pole position do GP dos Estados Unidos de 1973.




Wilson tinha entrado na F-1 competindo pela Brabham e, como todo piloto, sonhava com o sucesso, mas logo acordou para a realidade que reforçaria o projeto de construir seu F-1. Embora reconhecendo que corria por uma equipe média, ele se decepcionou com as constantes falhas internas do time. A gota d’água foi aquela corrida dos Estados Unidos, em Watkins Glen, em 6 de outubro de1973.




Duas voltas antes de o motor fumar, o Tigrão havia parado no boxe para um reparo no radiador de óleo, que estava superaquecendo. Wilsinho sabia que as falhas aconteciam porque a Brabham não tinha um chefe de equipe para supervisionar o trabalho dos mecânicos. Uma economia tola do usurário Bernie Ecclestone – antigo dono da escuderia e atual presidente da Associação dos Construtores da F-1, a FOA – que fez o Tigrão abandonar a maioria das corridas da temporada. No GP do Brasil foi uma braçadeira que prendia a mangueira de água que afrouxou. O líquido vazou e o superaquecimento do motor o tirou da corrida de Interlagos, na segunda volta, quando era o terceiro colocado.




Mas foi em Monza, no GP da Itália daquela temporada, que ele constatou que realmente a responsabilidade por uma corrida se divide em três partes iguais: um terço para a equipe, outro terço para o carro e o resto para o piloto. Se qualquer dessas partes não funcionar, não há como compensar nas outras. No GP da Itália a falha foi outra vez humana, porque na troca do kit de freio os mecânicos esqueceram-se de montar as válvulas do cilindro-mestre, que impede o retorno do óleo. Na primeira curva, com o pedal no fundo, nada de frear. Resultado: novo abandono forçado do Tigrão. No GP da França a trapalhada aconteceu com o acelerador do Brabham. Wilsinho disputava uma prova na qual tinha largado em último e já estava feliz em quinto, a quatro voltas da bandeirada, quando o cabo do acelerador prendeu.

Mesmo com todos esses percalços, ele nunca culpou o BT42. Considerava o carro bom e competitivo. A fragilidade era da equipe de mecânicos. Mas foi no GP de Mônaco daquele ano que o Tigrão sofreu o maior castigo de sua carreira de piloto na F-1. Ele tinha largado em sexto e nas dez voltas finais estava em terceiro, um mísero segundo atrás do Lotus de Emerson Fittipalddi e do Tyrrell de Jackie Stewart, que corriam grudados. Seria o primeiro pódio de dois irmãos da história da F-1. Mas aí o incrível aconteceu. Após correr por 251 quilômetros, o carro parou por falta de gasolina, a menos de 500 metros da bandeirada. A quebra do pescador, a peça que puxa o combustível do tanque, impediu que fossem sugadas as poucas gotas necessárias para o Tigrão cruzar a bandeirada e ir ao pódio na companhia de Emerson.

No GP do Canadá ele estava em sexto colocado quando, na 77ª das 80 voltas da corrida, ficou sem marchas porque o câmbio travou. Agora estava ali em Watkins Glen, parado à margem da pista, sabendo que participaria daquele último Grande Prêmio do ano sem chance de uma boa classificação. Tinha a cabeça feita, mas irritou-se ao notar uma mangueira pingando óleo, embaixo do Brabham BT42. “De novo”, suspirou, arrasado, antes de saber no boxe que o motor fundira porque a contraporca que firmava o cano de alumínio interno da mangueira do óleo se soltara.





Dois meses depois, embora um tanto dissimulado, Wilsinho admitiu: “Estou trabalhando num grande projeto ligado à Fórmula 1. Só posso garantir que não vou abandonar as pistas. Lutei muito para chegar à F-1 e não penso em parar. Afinal, vivo disso. E gosto”. Onze meses depois, ele estreava seu Fórmula 1 brasileiro, nos testes de Interlagos.


A miniatura acaba de sair pela coleção da Itália que semanalmente lança um novo F1.


Até mais!

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