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  • Foto do escritorDaluco

Simca Chambord 77 1962

Atualizado: 24 de dez. de 2023




Confesso que fiquei um pouco relutante em comprar essa mini do Simca de corrida que saiu na coleção Veículos de Serviço. Achei a decoração dela tão pobre em vista das fotos de outros Simcas que participavam de corridas nos anos 60 e 70, mas como estou montando um cantinho da velocidade na minha estande, achei que se encaixaria bem. Resolvi pesquisar um pouco para ver se ao menos esse carro realmente existiu e, para minha surpresa, nos primeiros resultados achei uma foto do 77 como sendo do piloto Catarino Andreatta, famoso piloto da minha terra, o Rio Grande do Sul. Pesquisei mais um pouco e descobri que esse carro não pertencia ao Andreatta, mas tinha uma história bem interessante.


Uma das primeiras, senão a primeira, revenda de Simcas em terras gaúchas foi a Importadora Auto Nordeste de Caxias do Sul que já no início de 1959 trazia as primeiras unidades do carro para a serra gaúcha. Logo de cara a empresa percebeu que, como em todo resto do Brasil, todos queriam os carro norte americanos que se caracterizavam por sua potência e grande torque, justamente o que faltava no Chambord, então era preciso "quebrar" esse tabu de força e resistência dos carros americanos.




Nessa mesma época foi fundado o CAEC (Caxias Auto Esporte Clube) do qual Carlos Érico Costamilan, sócio gerente da revenda Auto Nordeste era membro dirigente. Organizaram então em meados de 1959, o primeiro KM de Arrancada em Caxias do Sul. O Simca Chambord, pilotado por Costamilan, venceu em todas as categorias de cilindradas, superando naturalmente os carros americanos, que embora com maior cilindrada e potência estavam ultrapassados. Logo em seguida organizaram o 1º Circuito da cidade de Caxias do Sul, vencido pelo Simca Chambord de Catarino Andreatta. Em Abril de 1960 realizou-se o KM lançado de Taquara/RS, cidade entre Caxias do Sul e Porto Alegre. O Simca venceu em diversas categorias. Ainda em 1960, organizaram a 1ª Subida da Montanha, na BR2, hoje BR116, de Galópolis a Caxias do Sul, com chegada defronte ao Monumento Nacional ao Imigrante. Venceu o Chambord de Catarino Andreatta. Assim que  – segundo os próprios dirigentes da fábrica  –  Caxias do Sul e a revenda Importadora Auto Nordeste, foi a pioneira em colocar o Chambord em competições esportivas.


E O 77?


A Auto Nordeste contava então com notável simpatia em todos os setores da fábrica a ponto de, num contato com o Diretor Presidente Sr. Pasteur terem sido contemplados com a doação de um dos Simca Chambord utilizado nas filmagens do “VIGILANTE RODOVIÁRIO”, este havia sofrido uma pequena “batida” e estava a cargo da seguradora. Trouxeram o carro para Caxias do Sul e o prepararam para a grande corrida das 12 Horas de Porto Alegre, no circuito da Cavalhada - Vila Nova.





A Simca do Brasil, logo percebeu o potencial para melhorar a imagem de seus carros, através de corridas. Contratou pilotos experientes como Ciro Cayres, Jaime Silva e Fernando "Toco" entre outros. Criou um departamento de competições, que ao mesmo tempo, estabelecia melhorias para os carros de linha. Pois bem, voltemos às “12 Horas de Porto Alegre”. Em Caxias do Sul, prepararam o Simca (ex-Vigilante Rodoviário), com todo o carinho. Pintaram o carro todo de branco e com o número 77, pilotado por dois entusiastas, Walter Dal Zotto e Juvenal Hermes Martini, jovens porém hábeis pilotos.


Foto Simca 77 em 1963 colorizada por algoritmo.

Estes dois pilotos já haviam participado da edição anterior da “12 Horas de Porto Alegre” em 1962 e estavam ponteando a prova quando por pane seca (falta de gasolina) perderam a liderança. O vencedor foi Breno Fornari, com o seu Chambord 35. Em Junho de 1963 a fábrica Simca, com uma equipe de corridas, veio a Porto Alegre trazendo uma carreta e cinco carros com seus pilotos famosos, respaldados por todo o aparato de uma fábrica. Três dos cinco carros da fábrica deram largada pilotados por Jaime Silva, Toco e Zoroastro Avon. Pontearam a prova até o amanhecer (a largada fora a meia-noite). Um capotou e dois tiveram problemas no motor. Ao meio dia de 23 de Junho de 1963, a bandeira quadriculada saudava o vencedor: "CHAMBORD 77" de Dal Zotto e Martini, sob o patrocínio da Importadora Auto Nordeste e Baterias Heliar. Breno Fornari com o Chambord 35 foi o segundo colocado.



Confesso que depois de encontrar essa bonita história, passei a olhar o meu pequeno Chambord com outros olhos, com mais carinho, admiração e respeito. Então resolvi colocar os patrocínios que consegui identificar nas poucas fotos, tive que fazer muita melhoria nas fotos e até colorizar par poder identificar as marcas, mas gostei do resultado final. Outras modificações foram os parachoques, as "travas" do capô e a pintura em preto fosco das rodas.



Agora adivinhem se eu encontrei alguma dessas informações na revista que acompanha a miniatura? Não, nem uma virgula. Para chegar aos fatos da história aí de cima, tive que fazer uma "exaustiva" e "demorada" pesquisa de 15 minutos no Google...

Nessas horas uma dúvida me assalta sobre os que escrevem os tais fascículos para a editora: São preguiçosos, mal intencionados ou simplesmente incompetentes? Ou as 3 opções juntas?

Fontes: Forum Simca e Youtube


A MINIATURA



Competente miniatura do Simca Chambord feita pela PCT/IXO, ótima qualidade para coleção de banca. A cor da mini ao vivo é bem mais clara que nas fotos, parece um branco "sujo" que , com boa vontade, poderia até passar por um tom de branco da época. Falta um par de faróis de milha atrás das grades frontais. Notei também que as rodas não são as raiadas que acompanham os modelos Chambord e Rallye da CIB, nem as fechadas da perua Jangada, são com outro desenho que não tinha visto antes, são bonitas mas as do carro original eram pretas, simples e toscas.


Até mais!


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